Moranguinho do Mato: Benefícios e Usos Terapêuticos
Desde tempos imemoriais, as plantas medicinais têm desempenhado um papel fundamental na saúde e no bem-estar das civilizações. O Fragaria vesca, conhecido popularmente como moranguinho do mato, é uma dessas espécies amplamente apreciadas por suas propriedades curativas e pelo sabor agradável de seus frutos. Utilizado desde a Antiguidade, este pequeno arbusto da família das Rosáceas apresenta diversas aplicações terapêuticas e cosméticas, tornando-se um verdadeiro aliado natural para diferentes condições de saúde.
Neste artigo, exploraremos as características botânicas, os benefícios medicinais e as formas de uso do moranguinho do mato, além de destacar aspectos históricos e curiosidades sobre essa planta tão especial.
Características e Cultivo
O Fragaria vesca é uma planta perene, de porte pequeno, com altura variando entre 20 e 30 centímetros. Seu caule subterrâneo emite raízes pardas que sustentam folhas compostas, divididas em três folíolos serrilhados. Os frutos, que na verdade são pseudofrutos, apresentam coloração vermelha intensa quando maduros, exalando um aroma característico e adocicado.
A propagação dessa espécie pode ocorrer por sementes ou, de maneira mais eficiente, por divisão de touceiras. Seu crescimento é favorecido em solos areno-argilosos, ricos em matéria orgânica e com baixa acidez. Em relação ao clima, prefere temperaturas mais amenas, sendo ideal para regiões de clima temperado.
O moranguinho do mato é uma espécie ancestral, da qual derivaram diversas variedades cultivadas atualmente em hortas e jardins. Sua origem é incerta, mas registros históricos indicam que já era conhecida e utilizada pelas civilizações greco-romanas.
Partes Utilizadas e Conservação
Diferentes partes do Fragaria vesca são empregadas para fins medicinais, incluindo:
- Folhas: utilizadas frescas ou secas para infusões e decoctos.
- Frutos: consumidos in natura ou na forma de geleias e sucos.
- Raízes e rizomas: empregados no preparo de chás e extratos.
- Depurativa – auxilia na eliminação de toxinas do organismo.
- Alcalinizante – ajuda a equilibrar o pH corporal.
- Tonificante e remineralizante – rico em sais minerais essenciais.
- Emoliente – favorece a hidratação e a regeneração da pele.
- Distúrbios digestivos: prisão de ventre, diarreia e inflamações gastrointestinais.
- Afecções bucais: estomatites, gengivites e faringites.
- Problemas articulares: artrite, gota e reumatismo.
- Ferva 1 colher de sopa de raízes e rizomas fatiados em 1 xícara de chá de água por 5 minutos.
- Coe e tome de 2 a 3 vezes ao dia.
- Para inflamações bucais e da garganta, utilize o chá também para gargarejos e bochechos.
- Adicione 2 colheres de sopa de folhas fatiadas em 2 xícaras de chá de água fervente.
- Abafe e deixe em infusão por 15 minutos.
- Coe e tome 1 xícara pela manhã e outra à tarde.
- No caso de feridas ou chagas, aplique o chá diretamente na área afetada com um chumaço de algodão.
- Amasse 3 frutos bem maduros e misture com 1 colher de sobremesa de suco de limão e 1 colher de sobremesa de mel.
- Aplique no rosto e deixe agir por 15 minutos.
- Enxágue com água fria e desfrute dos benefícios de uma pele mais luminosa.
Posologia:
Adultos: 10 a 20ml de tintura divididos em 2 ou 3 doses diárias, diluídos em água; 2g de folhas seca ou 4g de folhas frescas (1 colher de sopa para cada xícara de água) em infuso até 3 vezes ao dia em intervalos menores que 12hs, em uso interno, para diarreias, inflamações gastrintestinais e afecções hepáticas e aperiente; 4g de raízes secas ou 8g de raízes frescas (1 colher de sopa para cada xícara de água) em decocto para afecções hepatobiliares; Fruto fresco ad libitum em afecções digestivas, hepáticas, convalescença, como refrescante. Não produzem fermentação no tubo digestivo: Emplastro de frutos frescos esmagados para inflamações da pele. Também tem tradição centenária como cosmético popular para branqueamento da pele e sardas; Suco -1 copo. preferencialmente centrifugado, como tônico hepático e antibacteriano interno; Vinho medicinal: revitalizador geral. Referências Bibliográficas- BRUNETON, J. Farmacognosia: Fitoquímica, Plantas Medicinais. 2. ed. São Paulo: Tecmedd, 1999.
- SIMÕES, C. M. O. SCHENKEL, E. P.; GOSMANN, G. Farmacognosia: da Planta ao Medicamento. 6. ed. Porto Alegre: UFRGS Editora, 2017.
- RATES, S. M. K. Plantas Medicinais: A Necessidade de Estudos Multidisciplinares. Química Nova, v. 24, n. 2, p. 147-152, 2001.
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